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Atividade física na infância: 5 perguntas sobre práticas esportivas para crianças | Vida Saudável


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Não há dúvidas sobre os benefícios da prática de atividades esportivas na infância e adolescência. Além de serem um incentivo à realização de atividades físicas, os esportes melhoram a interação social entre crianças e adolescentes, promovem a autoestima, previnem a ocorrência de sobrepeso e obesidade infantojuvenil, melhoram o comportamento e ainda estimulam o desenvolvimento ósseo e neuromuscular. 

Diante disso, os pais costumam ter dúvidas sobre quais atividades esportivas recomendar para seus filhos e, por isso, elencamos abaixo as principais dúvidas sobre o tema. 

1 – Qual o esporte mais indicado para crianças?

Depende de cada caso. A melhor atividade esportiva para a criança é aquela de que ela gosta. Essa escolha deve ser muito individual e não partir dos interesses pessoais dos pais. É muito comum a família questionar o médico sobre o melhor esporte para o filho, baseando-se nos próprios interesses em relação ao desempenho atlético, em vez de considerar os desejos da criança.

Crianças de zero até 2 anos:

Nessa fase, inicia-se o desenvolvimento neuromotor do bebê, que aprende a engatinhar e andar. A escolha da atividade física deve ser baseada em diferentes práticas, priorizando o desenvolvimento individual, sem introdução ao esporte. Deve ter caráter lúdico, como uma brincadeira, e não exigir performance. A natação para lactentes pode ser iniciada antes do primeiro ano de vida, mas vale notar que essa não é exatamente uma natação, e sim uma aproximação com o ambiente aquático, sem pretensão de que a criança nade. Importante: deve sempre ser realizada sob a supervisão de adultos.

Crianças de 2 a 5 anos:

Nessa fase, a habilidade motora é limitada, com reações de equilíbrio ainda não definidas e dificuldade para atenção seletiva. O aprendizado é egocêntrico, por erros e acertos. Deve-se enfatizar as habilidades fundamentais, as instruções simples e o aspecto lúdico, evitando a competitividade e priorizando o desenvolvimento individual, com treinos em circuitos de atividades. Deve ser realizada sob supervisão adequada. 

Crianças de 6 a 9 anos:

Nessa idade, ocorre a melhora do equilíbrio e das reações automáticas. Os esportes praticados com regras flexíveis são mais bem-aceitos, o que permite sua prática no tempo livre das crianças, com poucas instruções e mínimo de competição. Começam a ser indicadas escolinhas de futebol, esportes de quadra, judô e natação.

Crianças de 10 a 12 anos em diante:

A habilidade motora da criança melhora, com um aumento na capacidade de atenção seletiva e no uso da memória para estratégias em jogos. Podemos enfatizar o desenvolvimento de habilidades táticas e estratégias em grupos em praticamente todos os esportes coletivos de quadra, além de modalidades como tênis e artes marciais. Nessa fase, o esporte preferido é escolhido pelo adolescente, geralmente de acordo com seu gosto e performance.

É comum que os pais insistam em manter as crianças e adolescentes em esportes que não lhes agradam ou nos quais não apresentam bom desempenho, o que pode resultar em uma experiência frustrante, levando ao abandono e ao desincentivo à atividade física, que pode perdurar até a idade adulta.

Para evitar isso, recomenda-se estimular a prática de esportes escolhidos pela própria criança, conforme suas preferências. Isso não só aumenta a probabilidade de continuidade na atividade física pelo prazer que ela proporciona, mas também influencia positivamente a manutenção de exercícios na vida adulta.

2 – Tome cuidado com as lesões

A prevenção de lesões nas atividades físicas e esportivas realizadas por crianças e adolescentes é de extrema importância. A criança não é um adulto pequeno e tem características específicas de um organismo em desenvolvimento.

Estatisticamente, a ginástica artística, o atletismo, o “cheerleading” e as lutas marciais são as modalidades esportivas com o maior número de lesões entre crianças e adolescentes. Esportes com maior impacto ou contato físico, como futebol, boxe, handebol e basquete, também apresentam uma alta frequência de lesões. Em contrapartida, as lesões são mais raras em modalidades sem contato físico, como dança, tênis e arco e flecha.

A principal recomendação para evitar lesões é realizar um aquecimento muscular por pelo menos dez minutos antes do início das atividades esportivas, além de alongar os grupos musculares envolvidos.

3 – Quantos esportes a criança pode fazer?

De acordo com a Academia Americana de Medicina Esportiva, atletas em crescimento devem evitar praticar vários esportes simultaneamente. Além disso, devem manter uma frequência de três treinos semanais, acrescidos de um dia de competição, com intervalo de um dia entre os treinos para permitir a recuperação física. Muitas crianças são excessivamente incentivadas pela família, resultando em um número exagerado de dias e modalidades praticadas. A natação pode ser excluída desse cálculo, desde que não seja competitiva.      

4 – Criança pode fazer exercício para ganho de força?

Sim, desde que seja monitorada adequadamente. Os exercícios para desenvolvimento da força devem ser realizados utilizando o próprio peso corporal, evitando a musculação tradicional. Seria ideal individualizar o treinamento, especialmente para crianças iniciantes, portadoras de obesidade ou outras enfermidades. Isso envolve determinar a capacidade aeróbica da criança e a necessidade de alongamentos musculares específicos para evitar sobrecarga e lesões.

5 – Esportes competitivos

A participação de jovens em esportes competitivos aumenta a cada ano, em idades cada vez mais precoces. É importante que os responsáveis conversem com seus filhos para entender se realmente desejam seguir esse caminho, pois a carreira de esportista é exigente e apresenta um risco maior de lesões em comparação à prática recreativa.

O acompanhamento psicológico pode ser fundamental nesse contexto, auxiliando em aspectos como motivação, concentração, autoconfiança, autocontrole, tomada de decisão, e capacidade de manejo da ansiedade e do estresse. Esse suporte ajuda os jovens a lidar com fracassos, frustrações, vitórias e insucessos, especialmente diante da alta competitividade e das expectativas familiares, seja na escolha de um esporte individual ou coletivo.

E atenção!  Valorize as queixas clínicas de crianças e adolescentes, especialmente daqueles que praticam esportes competitivos. Caso suspeite de alguma lesão, procure um médico ortopedista. 


Revisão técnica: Nei Botter Montenegro, ortopedista pediátrico do Hospital Israelita Albert Einstein



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